19/05/2008

Toca-me



Toca-me! Deixa que as tuas mãos macias percorram os recantos da minha pele beijando a textura de seda nascida por ti e para ti. Que importa que não existam promessas? Os teus olhos que me queimam fazem de cada momento a eternidade, no sussurrar de um instante de amor infinito. Beija-me agora, deixa-me beber-te da nascente do prazer onde ser-te é tudo o que tenho de mim. Faz-me tua agora, despida de realidade, no abandono da razão...
Anda, toca-me,depressa! Tenho urgência de morrer em ti!


(em memória de Ariana)

06/05/2008

O teu Maio



“Escreve mulher ! É uma ordem! E dá a conhecer as tuas letras ao Homem que lê!”





Passou da hora minha Deusa. Não sabes tu que as palavras têm tempo e vida própria? Oh, se tudo fosse da forma que um dia sonhei!... A cada meia-noite eu pegaria nas letras como se de um filho se tratassem e por magia transformá-las-ia num só verbo, naquele verbo sereno da verdade absoluta que não se traduz.

Hoje, se o tempo não fosse subjectivo, as palavras surgiriam sem pontos de interrogação, não importaria o sentido nem que alguém o encontrasse para além de mim. Mas no meu relógio de vento já não habitam as palavras, já não mato na escrita breves instantes que não o são, os mil fragmentos coloridos de cristal, as pedras de sal, a meiguice do ser, do sentir, do viver, hoje vão além de um sopro de sonhos sepultados, esquecida que foi a ousadia de seguir a vida em contramão, ultrapassada que foi a necessidade de lutar contra moinhos de vento.


Como eu queria minha Deusa ainda assim conseguir falar de quimeras através da magia de um teclado que tantas e tantas vezes voou debaixo dos meus dedos sem que dele desse conta no devaneio de tantos sabores sentidos, repletos de odores e sabores exóticos e amordaçados. Sim, faz-me falta o bailado dos dedos e foi pela saudade dele e por ti, por nós as duas e por aquela dança louca que um dia nos prometemos que aqui voltei esta noite, às palavras, ainda que sem magia, numa talvez vã tentativa de matar uma vez mais sentires contraditórios inspirados numa madrugada morna de Maio. Do teu Maio, deste mesmo onde vieste buscar-me!...

29/04/2008

Vida! (?)



Caminho depressa… canto.
Projecto uma escada!
Corro … Quero!
Subo um degrau,
Tropeço. Apago… Páro!
Respiro,
Sorrio ; Recomeço !
(here i go again)

Desenho de novo e desço.
Digo sim!…
Empurro!
Desisto! Resisto
Hesito
Disparo. Não!
Avanço
Recuo (of this time I resign)
Volto
Fico
Vou (One day …)

Vou chegar!

Quando puder...

12/04/2008

Feira de Março



Corria o ano de 1434 quando D. Duarte, o Eloquente, a pedido de seu irmão e senhor de Aveiro, D. Pedro concedeu à vila de Aveiro o privilégio de realizar uma feira franca anual.






No dia 5 e 6 de Maio de 1434 realizou-se então no largo do Rossio a primeira edição desta feira onde houve de tudo o que era comum nesse tempo, fizeram-se trocas comerciais (livres de impostos) e a animação incluiu Malabaristas e jograis, artesãos, as ciganas videntes, as alcoviteiras que nas tabernas se dedicaram aos contratos de casamento e os célebres torneios entre guerreiros. Na ementa riquíssima constaram as mais deliciosas receitas tradicionais, tais como os chouriços e carne salgada, as petingas fritas, enguias de escabeche e mexilhão com molho além de sopa rija servida na hora, bem como javali assado e os ovos-moles para que nem a doçura faltasse.

Esta experiência foi-se repetindo ao longo dos tempos e a partir de 1497, no reinado de D. Manuel, a feira passou a ser realizada no mês de Março sendo designada por Feira de Março. Em 1887 a feira passou a decorrer entre Março e Abril, estando aberta durante um mês



Hoje em dia é um certame que já criou raízes na região e que retrata a sua riqueza económica numa união feliz com uma componente de animação e de divertimentos mecânicos cheios de magia encantando e atraindo miúdos e graúdos. É uma feira profundamente marcada pela presença de barracas de madeira, com as já tradicionais bancas de alfaias agrícolas e utensílios para o lar, ao lado de artesanato africano, mantas de trapos, louças, bijutarias ou queijos e presuntos da serra. Dentro dos pavilhões, os expositores espelham a força económica de toda a região onde as mais variadas empresas fazem-se representar expondo produtos ou fornecendo informações sobre a sua actividade. Os simbolismos gastronómicos desta feira são hoje as Farturas, o pão com chouriço acabado de sair e o Caldo-verde. Ao longo de mais de um mês de duração realizam-se inúmeros espectáculos e concertos de nomes sonantes da música e cultura de Portugal.


Esta feira anual que hoje se realiza no Parque de Feiras, AveiroExpo, em Vilar, conta então com a belíssima idade de 574 anos e estará aberta aos visitantes até ao próximo dia 27 de Abril.

31/03/2008

Desafio

A Ni lançou-me um desafio (assim um bocadinho complicado) para enumerar 6 aspectos meus (particulares, peculiares ou característicos)


(Vamos ver o que sai daqui… )



1º - Sou apaixonada por fotografia. É o meu trabalho, o meu hobby e um dos meus maiores vícios. A propósito disso, acabei de criar uma galeria pública que divulgo aqui em primeiríssima mão: (Espero que alguém se lembre de ir espreitar AQUI ) alguns albuns ainda não estão legendados


2º- Adoro ler, perdi a conta aos livros que li só no último ano. No centro comercial onde trabalho sou conhecida pela menina dos livros, pois faço-me sempre acompanhar por um ás refeições.


3º A minha maior vaidade são as unhas. Deixei de as roer aí há uns 4 ou 5 anos e agora cuido delas como se fossem diamantes. Sou a minha própria manicura e pareço aquelas “donas” das telenovelas que aproveitam cada bocadinho no sofá para as limar e mimar. Muitas vezes pinto-as enquanto teclo no msn, lol. Quando partem é uma tristezaaaaa…

(Xi!...Ainda faltam 3?)


4º Hoje em dia não sou dada a grandes festas ou aglomerações de pessoas. Já dei tanto por uma farra como dou hoje pelo meu sossego. Passo muito tempo sozinha e não prescindo disso, fico fora de mim se não arranjo uns momentos para estar só. Creio que a leitura nas refeições do Centro Comercial foi o estratagema que arranjei para o conseguir. Enquanto leio não vejo nada nem ninguém. Preciso disso.



5º Um dos meus maiores defeitos sempre foi a franqueza. Não seguro na boca o que me vem á cabeça e acabo muitas vezes por ferir pessoas de quem gosto muito. Depois dou conta de mim com recriminações. A única coisa que ainda vai salvando este meu mau feitio é a capacidade e humildade para pedir desculpa sem hesitar.



6º O riso e as lágrimas são a minha terapia de vida. Preciso de ambos para me equilibrar e ser feliz. Faço questão de viver e não de passar pela vida.



(Ni, espero que baste, sei que deveria passar o desafio mas prefiro não o fazer, tá? )

Beijos para ti e para todos

27/03/2008

Divorcias-te comigo?



Não sou dada a politiquices, a falar ou escrever aqui as minhas opiniões sobre os assuntos debatidos em Assembleia da Republica, não tenho por hábito demonstrar publicamente o meu parecer ou as minhas simpatias e antipatias partidárias, mas não posso deixar de comentar aqui algo que realmente me interessou hoje nas noticias:

O Projecto socialista que vai a debate na AR a 16 de Abril sobre as alterações nos processos de divórcio litigioso. Basicamente em que consiste esta proposta? Segundo o DN Online as alterações propostas são as seguintes:

“De acordo com a actual lei, quando apenas um dos membros de um casal quer o divórcio, tem de obter uma condenação do outro em tribunal, imputando-lhe violação dos deveres conjugais. Entenda-se o dever de respeito (um cônjuge não pode usar de palavras ou actos que atinjam a honra, reputação, consideração social ou o amor próprio do outro) ou a fidelidade. Mas também a coabitação, cooperação (obrigação de socorro e auxílio) e assistência (dever de custear os encargos familiares). São também motivo para divórcio litigioso a separação de facto por três anos consecutivos - prazo após o qual a parte que pretende o divórcio pode recorrer aos tribunais. Bem como a ausência por dois anos de um dos cônjuges, sem que dele haja notícia

Na prática, o projecto de lei que o PS está agora a finalizar vem facilitar a separação litigiosa, não fazendo depender a dissolução de um casamento da atribuição - e prova - de culpa a um dos cônjuges. Ao mesmo tempo, diminui o período de separação de facto mediante o qual se pode pedir a separação legal (em quanto, ainda não foi revelado).”



Ora bem. Vim procurar saber mais sobre esta notícia porquê? Porque se levantam já sobre ela muitas vozes, algumas de revolta e contestação severa: Que agora é que vão ser elas, que não dignificam nem valorizam a instituição do casamento, esquecem o dever constitucional de defender a família, os pobres dos filhos é que vão sofrer, etc, etc, etc.

Agora pergunto: Será que é uma lei que vai realmente promover o fim dos casamentos?

(Isto faz-me lembrar outras questões, como a do aborto entre outras. Será que só porque é permitido eu vou abortar?)


Estive a fazer as contas – O meu casamento tem 206 meses, 866 semanas, 6067 dias, 145573 horas, 8734497 minutos…Não é um casamento perfeito e já passou por crises como todos os outros e todas se foram superando a dois em nome de algo muito além das leis deste país. Nunca foi por ser difícil ou demorado que o divórcio foi desconsiderado. Foi por opção, por escolha emocional, não legal.

Vou divorciar-me agora por legalmente ser mais fácil fazê-lo?

E só mais umas perguntinhas:

Quantos são os casais que mantém uma união de facto e que lutam por ela todos os dias?

Porque não se separam?

Será por legalmente ser difícil fazê-lo?

Por mim, que venha a lei. Chega de complicações burocráticas neste país! Cada cabeça seu guia.

 
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